Visita técnica, oficinas e debates marcam segundo dia da III Semana Nacional de Sustentabilidade no Judiciário
nelipimenta
Sex, 24/07/2026 – 16:03
A programação do segundo dia da III Semana Nacional de Sustentabilidade no Judiciário – Região Sudeste, realizada nesta quinta-feira (23/7), reuniu representantes de tribunais de toda a região em atividades voltadas ao intercâmbio de experiências e à construção de propostas para fortalecer a agenda da sustentabilidade no Poder Judiciário. A programação incluiu visita técnica à Cooperativa Reciclar, oficinas colaborativas no Laboratório de Inovação do TRT-15 (Co.Labora 15) e palestra sobre a responsabilidade das organizações públicas na gestão de resíduos sólidos.

Pela manhã, magistrados e servidores conheceram o trabalho desenvolvido pela Cooperativa Reciclar, em Campinas, referência na coleta, triagem e destinação de materiais recicláveis. O grupo foi recebido pela educadora ambiental Elaine Ricci, que, ao lado da equipe de cooperados, apresentou o funcionamento da instituição e o impacto social do trabalho desenvolvido. Os visitantes puderam acompanhar, na prática, as etapas de recebimento, separação e armazenamento dos resíduos destinados à reciclagem.

Durante a visita, o desembargador do TRT-15 Guilherme Guimarães Feliciano agradeceu a recepção da equipe da Cooperativa Reciclar e a presença dos representantes dos diversos tribunais da Região Sudeste. Também saudou o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Paulo Régis Machado Botelho, que recentemente assumiu a condução da pauta de sustentabilidade no órgão, sucedendo-o nessa responsabilidade. Ao abordar a evolução da política de sustentabilidade no Judiciário, o desembargador Feliciano observou que, durante muito tempo, a sustentabilidade não recebeu, no âmbito do Poder Judiciário, a prioridade compatível com sua relevância, cenário que começou a mudar com a atuação do CNJ, ao incorporar o tema como uma política institucional prioritária e estruturante. Lembrou ainda que, entre seus últimos atos à frente dessa agenda no Conselho, esteve a aprovação da recomendação que orienta a destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos órgãos do Judiciário às cooperativas de reciclagem, fortalecendo a inclusão socioeconômica dos catadores e a gestão ambientalmente responsável dos resíduos.
Inovação e Sustentabilidade

À tarde, os participantes se reuniram no Co.Labora 15 – Laboratório de Inovação do TRT-15 para a oficina “Construindo Caminhos para a Implementação da Recomendação CNJ nº 169/2026”. Utilizando a metodologia do design thinking, a atividade promoveu debates pautados pela horizontalidade, voltados à construção colaborativa de soluções para os desafios da implementação da recomendação, considerando as especificidades da jurisdição de cada tribunal.
Ao final da oficina, os participantes propuseram a elaboração de uma carta conjunta, reunindo as principais propostas debatidas. O documento será redigido na próxima semana e posteriormente encaminhado ao CNJ, como contribuição dos tribunais participantes para o aprimoramento das políticas de sustentabilidade no Poder Judiciário.
Gestão de Recursos

Encerrando a programação técnica, a professora Thaíssa Rocha Proni, mestra em Direito do Trabalho pela Universidade de São Paulo (USP), doutora em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp e pós-doutoranda no Departamento de Ciência Política do Instituto, ministrou a palestra “Responsabilidades das Organizações em Questões Ambientais”, com mediação da juíza Sofia Maria de Barros, integrante do Comitê de Sustentabilidade do TRT-15. A palestrante abordou a evolução da gestão ambiental nas organizações, destacando que a sustentabilidade deixou de ser uma pauta pontual para se tornar uma demanda permanente das instituições públicas.
Ao tratar da gestão documental, Thaíssa enfatizou os desafios relacionados ao armazenamento de processos e documentos físicos, defendendo estratégias que conciliem preservação da memória institucional, redução de custos e responsabilidade socioambiental. Entre as alternativas apresentadas, destacou a adoção de práticas de economia circular e regenerativa, além do estabelecimento de parcerias com universidades, startups e lawtechs para desenvolver soluções inovadoras voltadas à classificação, digitalização e destinação adequada dos documentos.
Assista à palestra.
Fortalecimento do trabalho em rede
Na solenidade de encerramento, o conselheiro Paulo Régis Machado Botelho avaliou que os dois dias de atividades proporcionaram importante aprendizado e reafirmou o compromisso de levar ao CNJ as contribuições construídas durante o encontro. Segundo ele, as propostas discutidas poderão contribuir para o aperfeiçoamento do sistema de Justiça, conciliando preservação da memória institucional, descarte responsável de documentos e sustentabilidade ambiental. O conselheiro também destacou que o objetivo permanente do Judiciário é prestar uma jurisdição de qualidade, com honradez, confiabilidade e respeito ao cidadão.

Também participaram da solenidade de encerramento a desembargadora Regina Duarte, vice-diretora da Escola Judicial do TRT da 2ª Região, que ressaltou a importância da troca de experiências entre os tribunais e da construção coletiva de soluções para uma Justiça mais sustentável, e o coordenador do Comitê de Sustentabilidade do TRT-15, desembargador Marcos da Silva Porto, que destacou o elevado engajamento dos tribunais da Região Sudeste e o trabalho integrado das equipes envolvidas na organização do evento. Para ele, o principal legado da III Semana Nacional de Sustentabilidade é o fortalecimento do trabalho em rede e da cooperação institucional, fundamentais para o aprimoramento das políticas de sustentabilidade no Poder Judiciário.
